Entrevista concedida por Maria Helena Marcon a Ismael Gobbo e publicado em seu Boletim Eletrônico, em data de 15.10.2011.
Enviada ao CEIC em 16.10.2011.
01.Maria Helena pode nos fazer sua autoapresentação?
Nasci no Rio Grande do Sul, na cidade de Erechim, transferindo-me com a família para o Estado do Paraná na adolescência. Foi no Paraná que me vinculei ao Movimento Espírita.
Profissionalmente, sou bancária aposentada pelo Banco Geral do Comércio, atual Banco Santander, trabalhando atualmente na Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Paraná, como Oficial de Gabinete.
02.De que forma conheceu o Espiritismo e desde quando é Espírita?
As primeiras noções a respeito do Espiritismo chegaram-me na Infância, encaminhada pelas generosas e lúcidas mãos de minha mãe, que o procurou por questões de enfermidades que a acometiam, ali encontrando respostas a suas interrogações, mais do que a cura da saúde física.
03.A que casa espírita está vinculada presentemente?
Desde o ano de 1972, frequento o Centro Espírita Ildefonso Correia, tendo ali, desde a juventude, aderido ao trabalho, desenvolvendo atividades como evangelizadora, coordenadora de Juventude Espírita, bibliotecária, voluntária no Serviço Social Espírita. Por quatro gestões sucessivas estive à frente da Presidência da Casa, retornando posteriormente para mais uma gestão.
Atualmente, sou membro do Conselho Deliberativo e do Departamento Doutrinário, com atuação ainda como coordenadora de grupos de estudo, palestrante, coordenadora de grupo mediúnico.
04.Pode nos fazer uma retrospectiva de sua atuação no Movimento Espírita?
No ano de 1986, a convite de João de Mattos Lima, membro do Conselho Federativo Estadual da Federação Espírita do Paraná - FEP, ingressei no trabalho federativo estadual, na qualidade de coordenadora do Setor de Infância do Departamento de Infância e Juventude daquela Federativa.
No ano seguinte, fui honrada com a direção do Departamento – DIJ, em que permaneci por onze anos.
Na sequência, ocupei a segunda vice-presidência da FEP, a primeira vice-presidência e, em 2004, assumi a Presidência da Instituição, que ocupei por duas gestões seguidas.
A partir de 1992, passei a colaborar, na qualidade de redatora do Programa Momento Espírita, programa radiofônico da FEP, que permanece no ar, sem interrupção, desde então, sendo veiculado hoje em 229 emissoras em todo o Brasil e uma no Paraguai.
Em 2007, assumi a Coordenação do Programa e a partir de 2008, também a coordenação do Setor de Comunicação Social Espírita da mesma Federativa.
05.Tem algum livro publicado?
São dois os livros publicados, com cessão de todos os direitos autorais à FEP: Expoentes da Codificação Espírita, em 2004 e Personagens da Boa Nova, em 2010.
Ambos iniciaram como trabalho de pesquisa, com publicação mensal nas páginas do Jornal Mundo Espírita, enfocando o primeiro os nobres Espíritos que assinaram a Codificação Espírita e o segundo, os trabalhadores diretamente vinculados à disseminação da Boa Nova.
06.Fale-nos de sua experiência na direção da Federação Espírita do Paraná.
Foi uma experiência salutar onde tive a oportunidade de muito aprender. O contato mais direto com as lideranças do Movimento Espírita do Estado, conhecer mais de perto os trabalhadores das tantas Casas Espíritas e, especialmente, o contato mais constante com os espíritas em geral, tudo foi de grande aprendizado, enriquecendo-me de valores novos, colhidos em tantos bons exemplos que constatei.
07.Como caminha o movimento espírita brasileiro?
O Movimento Espírita brasileiro, graças a criaturas extremamente dedicadas, lúcidas e incansáveis, segue por bons caminhos, e falo não só daqueles trabalhadores de projeção nacional e internacional, mas também dos valorosos tarefeiros, anônimos para nós, que dão sustentação diária às múltiplas atividades nos Centros Espíritas a que estão vinculados, nos mais variados cantos do mundo. O Movimento cresce e se robustece conforme a folha de serviços de cada um em prol da vivência dos seus postulados e da divulgação dos mesmos.
Naturalmente, que muito ainda existe a ser feito, mas já se destacam inúmeros Centros Espíritas bem estruturados e servindo à Causa Espírita com fidelidade e qualidade. Os trabalhadores já não são tão poucos e nota-se que há um esmero em aprimoramento, aperfeiçoamento no bem servir.
08.E sobre a bibliografia espírita atual?
Com certeza, o mercado livreiro está infestado com livros de má qualidade, descompromissados da Doutrina Espírita. No entanto, para os estudiosos da Doutrina Espírita, os que conhecem os conteúdos espíritas, fácil se faz a distinção das obras não doutrinárias.
E os Centros Espíritas e as Federativas, entendendo seu compromisso com a divulgação espírita, têm se esmerado no apresentar as obras de conteúdo espírita autêntico, em suas livrarias e bibliotecas, sempre coerentes com os objetivos da Doutrina Espírita.
09. Sabemos que todos têm seus projetos pessoais que querem levar avante. No caso do trabalhador espírita acha conveniente que os projetos pessoais não se conflitem com aqueles preconizados pela Doutrina Espírita?
Temos visto projetos pessoais que caminham na contramão daqueles que a doutrina e o movimento espírita nos oferecem. Médiuns descompromissados que produzem e vendem suas obras duvidosas, como espíritas, lideres e oradores envolvidos por um misticismo sem precedentes, com suas previsões, teorias mirabolantes, etc ...
Com certeza, considero que a vida pessoal do espírita não se dissocia da vida do trabalhador. É-se espírita ou se deveria ser vinte e quatro horas ao dia, isto é, em todas as situações: pessoais, profissionais, de voluntariado.
Recordemos o ensino de Emmanuel: Espírita é o nome do teu nome...
10.E o que fazer diante disso Maria Helena?
Trata-se de uma questão de cunho individual. Entendo que somente o estudo da Doutrina Espírita, nas bases kardequianas, e profundas e sérias reflexões a respeito do seu conteúdo aprendido, com esforço em vivenciar seus postulados, pode tudo solucionar. Quem estuda, quem se impregna do pensamento espírita, entende que a vivência espírita deve ser consequência natural e imediata. Já é de nosso conhecimento que o verdadeiro espírita é reconhecido pelas suas transformações morais e pelo esforço que faz em domar suas más inclinações.
11.Tem alguma experiência de atividade espírita no Exterior?
Em 2008, atendi convite do Movimento Espírita de Leiria, em Portugal e realizei seminários e palestras em algumas cidades como Leiria, Águeda, Figueira da Foz, Porto Salvo.
12.Suas palavras finais aos nossos leitores e desde já nossos agradecimentos.
A Doutrina Espírita é Sol em nossas almas. Honremo-la, estudando-a e vivenciando-a em sua essência de pureza. Iluminados pelos seus raios de luz e sabedoria, beneficiados pela clareza dos seus ensinos, sejamos servidores atuantes, distribuindo-a a mãos cheias, através da palavra e, sobretudo, pelo exemplo.
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